O mundo em nossas mãos

15-10-2011 08:41

DOMINGO, 16 DE OUTUBRO 2011: 29º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A
Isaías 45,1.4-6; Salmo 95; 1 Tessalonicenses 1,1-5; Mateus 22,15-21

“É lícito ou não pagar imposto a César?” foi a questão que discípulos dos fariseus e alguns partidários de Herodes fizeram a Jesus, pondo em ação “um plano para apanhá-lo em alguma palavra”. Opositores da ocupação romana uns e colaboracionistas os outros, põem-se de acordo ao menos desta vez. Conforme o que irá responder, Jesus se alinhará seja entre os primeiros seja entre os segundos, esposando assim as suas querelas. E, ao tomar partido, será rotulado e terá contra si metade da população. Fariseus e saduceus não se unem nunca quanto ao pagamento do imposto, mas estão sempre unidos quando se trata de levar Jesus a se perder. Ora, quem é que pode autorizar ou proibir o pagamento do imposto? Deus, é claro. “Sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho para Deus”, foi como, hipocritamente, os seus adversários introduziram a questão. Jesus é convidado, portanto, a revelar a vontade de Deus. Sua resposta os remete a si próprios: eles é que se servem das instituições imperiais e é do bolso deles, não do seu, que sairá a moeda que traz a efígie de César. Por constrangimento ou convicção, eles vivem sob o regime imperial. Cabe a eles, pois, tirar suas conclusões; Jesus não é nenhum militante do poder local, nem um revolucionário. Não veio subverter a ordem estabelecida nem consagrá-la. O “caminho para Deus” usa tudo o que os homens fazem existir, até mesmo o pecado, como diz santo Agostinho. Em Lucas 12,13, vemos Jesus recusar a se ocupar da partilha de uma herança: “Amigo, quem me constituiu vosso juiz ou árbitro de vossas partilhas?” A nós cabe decidir se vamos em direção ao maior amor ou a um amor menor. De qualquer modo, com a Cruz, aprendemos que Deus usa até mesmo o que os homens fazem de pior para, daí, fazer advir o melhor. Mesmo que este melhor muitas vezes nos escape à consciência imediata, à experiência do dia a dia.

Deus e César

A resposta de Jesus pode nos desconcertar. Não será Deus a fonte de tudo o que existe? Será que se pode encontrar alguma coisa que não lhe pertença? Tudo o que é de César não é também, em última instância, do próprio Deus? Antes de responder a esta questão, é bom lembrar que Deus deu ao homem, confiou a ele toda a criação. Depois, retirou-se numa espécie de sábado eterno, deixando-nos com as mãos livres (ver Gênesis 1,26-2,2). Então, não podemos atribuir a Deus os acontecimentos de nossa história. Desconfiemos dos “milagres”: eles não são o pão cotidiano de nossa fé. E, no entanto, Deus está presente em todas as coisas e em tudo o que fazemos. Ele vem ao nosso encontro seja lá onde estivermos; Ele está sempre aí, como incomensurável apelo. Apelo a quê? A que nos deixemos criar à sua imagem e semelhança - a que existamos, portanto, simplesmente - gerando este mundo, que depende de nós, em conformidade ao amor; que coloquemos no mundo este Amor que é Deus. É isto que é “o que é de Deus” e que somos chamados a dar. Então, a ação de Deus passa por nossa ação. Assim, em nossa primeira leitura, vemos Ciro, um estranho à fé de Israel, cumprir sem saber o projeto de Deus. Certamente pelo cuidado com a justiça e animado pelo amor. É Deus que está nele, mas não conforme as imagens a que nos habituamos a fazer de Deus. Uma delas: o sopro com que respiramos, o amor pelo qual vivemos. Cabe a nós viver esta vida segundo o amor que nos faz ser e que nos faz dar a todos os Césares o que vem até nós através deles. Todo ser humano é, em parte, um César, devido ao fato de sua liberdade. Devemos fazer voltar para Deus todo o amor com que Ele nos ama e que nos faz ser, amor que é Ele mesmo: o que só podemos fazer servindo-nos do caminho que passa pelos outros, mulheres e homens, que “materializam” a sua presença.

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A PARTILHA DAS REFLEXÕES BÍBLICAS É UMA PARCERIA ENTRE XICO LARA E O CENTRO ALCEU AMOROSO LIMA PARA A LIBERDADE/CAALL

 Marcel Domergue (tradução livre de www.croire.com feita por Xico e José lara)