A História da Igreja Católica

A História da Igreja Católica

 

 

Cobre um período de aproximadamente dois mil anos,e relata os eventos de uma das mais antigas instituições religiosas em atividade, influindo no mundo em aspectos espirituais, religiosos, morais, políticos e sócio-culturais. A história da Igreja Católica é integrante à História do Cristianismo e a história da civilização ocidental. A Igreja Católica acredita que ela "está na História, mas ao mesmo tempo transcende. É unicamente "com os olhos da Fé" que se pode enxergar em sua realidade visível, ao mesmo tempo, uma realidade espiritual, portadora de vida divina"

A Igreja Católica acredita que a sua História remonta a Jesus Cristo e ao Apóstolo Pedro, a quem, segundo a doutrina católica, Cristo prometeu o Primado da Igreja fundada por Ele: "Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja". Os católicos acreditam também que Jesus entregou a São Pedro a autoridade suprema da Igreja: "Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus" (cf. Mt 16, 17-20). e que não fundou apenas uma religião - o Cristianismo - fundou também uma Igreja constituída sob a forma de uma comunidade visível de salvação, à qual os homens se incorporam pelo batismo. A constituição da Igreja consumou-se no dia de Pentecostes e, a partir de então, começa propriamente a sua história. 

O Cristianismo nasceu e desenvolveu-se dentro do quadro político-cultural do Império Romano. Os cristãos, inicialmente perseguidos pelo Sinédrio, depressa se desvincularam da Sinagoga, o cristianismo desde as suas origens, foi universal, aberto aos gentios, e estes foram declarados livres das prescrições da Lei Mosaica. O universalismo cristão manifestou-se desde os primórdios da Igreja em contraposição ao caráter nacional da religião judaica. Fugindo da perseguição em Jerusalém os discípulos de Jesus chegaram a Antioquia da Síria, uma das principais metrópoles do Oriente naquele tempo. Alguns destes discípulos eram de origem helênica, de mentalidade mais aberta que os judeus da palestina e começaram a anunciar o Evangelho aos gentios.

Foi em Antioquia que o universalismo da Igreja mostrou-se concretamente uma realidade e foi nesta cidade que pela primeira vez os seguidores de Cristo começaram a ser chamados de cristãos. Nestes primeiros séculos a penetração cristã foi um fenômeno muito mais urbano que rural. Durante três séculos o Império Romano perseguiu os cristãos, porque a sua religião era vista como uma ofensa ao estado, pois representava outro universalismo e proibia os fiéis de prestarem culto religioso ao soberano imperial. Durante a perseguição, e apesar dela, o cristianismo propagou-se pelo império. Neste período os únicos lugares relativamente seguros em que se podiam reunir eram as catacumbas, cemitérios subterrâneos. O cristianismo teve de se converter numa espécie de sociedade secreta, com os seus sinais convencionais de reconhecimento. Para saber se outra pessoa era cristã, por exemplo, desenhava-se um peixe , pois a palavra grega ichtys (peixe) era o anagrama da frase Iesos Christos Theou Hyios Soter (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador).

As principais e maiores perseguições foram as de Nero, no século I, a de Décio no ano 250, a de Valeriano (253-260) e a maior, mais violenta e última a de Diocleciano entre 303 e 304, que tinha por objetivo declarado acabar com o cristianismo e a Igreja. O balanço final desta última perseguição constituiu-se num rotundo fracasso. Diocleciano, após ter renunciado, ainda viveu o bastante para ver os cristãos viverem em liberdade graças ao Édito de Milão, iniciando-se a Paz na Igreja..

Os cristãos formaram comunidades locais, denominadas Igrejas, sob a autoridade pastoral de um bispo. O bispo de Roma, sucessor do apóstolo Pedro, exercia o Primado sobre todas as Igrejas. A vida cristã estava centralizada em torno da Eucaristia e o repúdio do Gnosticismo foi a grande vitória doutrinal da primitiva Igreja. A primeira literatura cristã, a seguir o Novo Testamento, teve origem nos Padres Apostólicos, cujos escritos refletem a vida da Cristandade mais antiga. A apologética foi uma literatura de defesa da fé, ao passo que o século III viu já o nascimento de uma ciência teológica. Os escritos dos Padres Apostólicos são de índole pastoral e dirigen-se a um público cristão.

Deste período destacam-se a Didaké, a carta de São Clemente aos Coríntios, as sete cartas de Santo Inácio de Antioquia a outras Igrejas, a epístola de Policarpo de Esmirna e o "Pastor de Hermas"