Sobre a CRB Nacional

Sobre a CRB Nacional

 

Em 57 anos de existência a Conferência dos Religiosos do Brasil viveu um processo de desenvolvimento, triênio a triênio, marcado por importantes acentos históricos que, ao longo dos anos foram pontuando as linhas de ação orientadoras de sua missão bem específica: animar a Vida Religiosa Consagrada no Brasil. Nesse itinerário é importante fazer memória de cada etapa do caminho percorrido.

O Contexto eclesial dos anos 50 do séc. XX e todo o processo de renovação desencadeado pelos vários movimentos eclesiais exerceram influência na evolução da Vida Religiosa Consagrada e no seu processo de organização.

  •  Mov. da Ação Católica Brasileira – JAC,JUC,JEC,JOC
  •  Mov. de Renovação Bíblica
  •  Mov. Litúrgico e Mov. Catequético
  •  Mov. por Mundo Melhor.

A VRC no Brasil dos anos 50 do séc. XX

  •  183 institutos religiosos femininos
  •  72 institutos religiosos masculinos
  •  Entre estes, 40 institutos nascidos no Brasil.

Um total de 255 Institutos de Vida Consagrada, com aproximadamente 35.910 religiosos/as.

Fatos decisivos para o nascimento da CRB

1950 – O Congresso Internacional dos Religiosos realizado em Roma, (convocado por Pio XII) que teve como objetivo o aggiornamento da VRC, oportunizando estudo, reflexão e confronto com as exigências e necessidades da época.

1952 – Criação da CNBB O Congresso Internacional dos Religiosos e a experiência da organização da CNBB motivaram os religiosos e religiosas a realizar o 1º Congresso de Religiosos/as do Brasil, sugerido pelo Cardeal Valério Valeri ao Cardeal Jaime de Barros Câmara. Logo foi constituída uma Comissão Executiva e nomeado secretário geral Pe. Irineu Leopoldino de Souza, SDB, que desempenhou um papel importante no processo e evolução da CRB. O Congresso se realizou no Rio de Janeiro, nos dias 07 a 13 de fevereiro de 1954 com a participação de 300 religiosos e 1.500 religiosas. Seus objetivos:

  •  Atualização da Vida Religiosa
  • Organização do apostolado religioso

A temática foi articulada em três eixos:

  • VRC e as novas condições de vida moderna
  • As vocações e a formação
  • O apostolado dos/as religiosos/as

A CNBB se fez representar pelo seu secretário geral, Dom Helder Câmara, que acompanhou todas as atividades do Congresso.
Criação da CRB
No dia 11 de fevereiro de 1954, os superiores e superioras maiores de ordens e congregações religiosas e de sociedades apostólicas, presentes no Congresso, fundaram a CRB como instituição a serviço da VRC no Brasil para ser:

  •  Elo de unidade entre os Institutos – femininos e masculinos.
  • Veículo de compreensão e ajuda mútua
  • Articuladora de atividades num plano comum
  • Valorizadora dos carismas próprios a serviço da Igreja.

Impacto Eclesial da Criação da CRB

O comunicado mensal da CNBB assim se expressou: “O acontecimento tem para os religiosos do Brasil o mesmo alcance que teve para a hierarquia a criação da CNBB. Os dois secretariados deverão atuar sempre dentro da mais completa sintonização”.
A criação da CRB teve repercussão em âmbito internacional e foi considerada por Roma como: “Critério e padrão de organização nacional dos religiosos”.
CNBB e CRB: Missão Solidária
Da colaboração entre CRB e CNBB, já nos primeiros tempos surgiram:

  • INC – Instituto Nacional de Catequese
  • CERIS – Centro de Estatística Religiosa e Investigação Social
  • SCAI – Serviço de Cooperação Apostólica Internacional
  • IBRADES – Instituto Brasileiro de Desenvolvimento

Consolidação e Expansão

  • 1955 – Circulação da Revista da CRB
  • 1955 – Decreto de aprovação do Estatuto pela Santa Sé
  • Intensa atividade voltada para a organização interna, aproximação das congregações e prestação de serviços, econômicos, administrativos e jurídicos.
  • Criação das Secções Regionais
  • 1960 – recebe a declaração de Utilidade Pública Federal
  • 1966 – a CRB é reconhecida como Sociedade Civil Filantrópica.
  • 2001 – é eleita a primeira mulher como presidente nacional.
  • 2004 – comemoração dos 50 Anos de existência da CRB
  • 2008 – Transferência da sede nacional do Rio de Janeiro para Brasília.

Finalidades da CRB

  • Animar a VR e promover a comunhão entre Religiosos/as
  • Coordenar atividades que visem estes objetivos
  • Articular forças, serviços e programas intercongregacionais
  • Atender a coletividade e colaborar com outros organismos
  • Promover o diálogo e fomentar oportuna colaboração com a CNBB, Igrejas Locais, CLAR e outros Organismos.

A CRB Nacional coordena, anima, assessora e articula a VR do Brasil através de suas 20 Secções Regionais distribuídas em cinco regiões:

  • Região Sul: Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba.
  • Região Sudeste: S. Paulo, Rio de Janeiro, Vitória e Belo Horizonte.
  • Região Centro Oeste: C. Grande, Goiânia, Brasília, Cuiabá e Palmas.
  • Região Nordeste: Salvador, Recife, Teresina, Fortaleza e S. Luiz.
  • Região Norte: Manaus, Porto Velho e Belém.

A CRB, desde a sua fundação realizou vinte Assembléias Gerais Ordinárias.
Em 2001 a caminhada da CRB é marcada pela eleição de Ir. Maris Bolzan – SDS, a primeira mulher na presidência da Conferência.
Primeira Diretoria da CRB – Eleita no Primeiro Congresso
Presidente: Dom Martinho Michler, OSB
Secretário Geral: Pe. Irineu Leopoldino de Souza, SDB
Tesoureiro: Irmão João de Deus, FMS
Conselheiros: Pe. João Bosco Rocha – Frei Tarcisio Palazzolo, OFMCap
Conselheiras: Madre Maria de Sta. Clara Counort, OSU – Madre Maria do Calvário, MJC
Assessor nomeado para as Religiosas: Pe. Geraldo Fernandes, CMF
Como funcionava a CRB
A Sede ficava situada à Rua Farani, 95 – Rio de Janeiro/RJ
Os Departamentos:

Departamento Jurídico: funcionava na Rua Farani, 95
Departamento de Estatística: Instituto Pio XII – Rua Real Grandeza, 87
Departamento de Catecismo: Faculdade de Filosofia Santa Úrsula – Rua Farani, 75
Departamento de Educação e Ensino: Associação de Educação Católica do Brasil – Rua Martins Ferreira, 23
Departamento de Serviço e Assistência Social: Instituto Social – Rua Humaitá, 170
Serviço de Passagens e Serviço de Procuradoria: Rua Farani, 95

A Primeira Regional da CRB

A Conferência dos Religiosos do Brasil, Secção da Bahia e Sergipe foi criada na primeira semana de estudos dos Religiosos de Bahia e Sergipe, de 07 a 14 de fevereiro de 1955. Sua primeira sede foi no Colégio das Mercês – Avenida Sete de Setembro – Salvador – BA

O Logotipo

O Irmão Claudino Falquetto, FMS, Presidente Nacional da Conferência dos Religiosos do Brasil, lançou um concurso, em 1985, em todo o Brasil, para escolher o logotipo da CRB Nacional.
Venceu o concurso o arquiteto, Irmão Analino Zorzi, FSC, Religioso do Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs, (Lassalistas), de Porto Alegre,RS.
Aqui está a interpretação feita pelo Autor sobre a sua arte: ” As três faixas representam os três votos que os religiosos professam. As faixas formam, visualmente, as mãos em oração, orientadas para cima, num sentido positivo, para o bem, para Deus. Ao mesmo tempo, uma faixa branca invade as mãos e as envolve: é o invisível mas presente SER que é Deus. A entrega, a oferenda do religioso e aceitação e envolvimento de Deus estão expressos no conjunto do desenho. As mãos se encontram como os seres humanos se encontram em Deus. E é com suas mãos que os religiosos ajudam a transformar a realidade num mundo de justiça e fraternidade, servindo os homens, seus irmãos. Sugerimos a cor azul por lembrar o infinito de Deus e a eternidade do homem em Deus”.

Fatos importantes na trajetória da CRB

  • A CRB foi a grande motivadora da renovação trazida pelo Vaticano II, junto à VRC. Despertou para a formação de pequenas comunidades, para o despojamento e vida solidária junto aos empobrecidos.
  • 1966 – Fundação da USGCB (União das Superioras Gerais de Congregações Brasileiras)
  • 1968 – Revista Convergência que substitui a Revista da CRB
  • 1970 – Crise financeira e de identidade
  • 1971 – Reestruturação da CRB e retomada dos objetivos fundacionais.
  • 1971 – Criação da ERT (Equipe de Reflexão Teológica) com o objetivo de acompanhar o processo de reflexão sobre os caminhos a serem trilhados e as respostas a serem dadas aos novos apelos da Igreja e da sociedade.
  • As conferências de MEDELLIN e PUEBLA marcaram profundamente a VRC e a CRB. Começou uma nova etapa de reflexão visando dar um novo impulso à VRC do Brasil na sua missão profética e opção preferencial pelos pobres a partir de comunidades inseridas, da participação e envolvimento nos movimentos e pastorais sociais
  • Cursos de formação intercongregacional com destaque: CETESP – Centro de Estudos Teológicos e Espiritualidade, CERNE – Centro de Renovação Espiritual, PROFOCO – Programa de Formação para Contemplativas.

CETESP-PROFOLIDER

• Década de 80 – Criação da ERB- Equipe de Reflexão Bíblica
• 1987- Organização da ERP- Equipe de Reflexão dos Psicólogos
• Criação de Grupos de Reflexão abrangendo as várias dimensões da missão da VRC.
• Década de 90 – Elaboração da Coleção Tua Palavra é Vida, que contribuiu para o resgate da leitura orante da Palavra de Deus, fortalecendo a missão profético- solidária da VRC.
Em sua trajetória histórica, a CRB buscou estar atenta aos sinais dos tempos incentivando a fidelidade criativa da VRC aos novos apelos da Igreja e da sociedade. Novos temas de reflexão foram perpassando as Assembléias Gerais e os subsídios oferecidos à VRC pela CRB com a marca do compromisso com os pobres e excluídos. Esquecer os pobres é perder o sal e o fermento.
Principais temáticas de reflexão assumidas pela CRB

1)Década de 60
• Vida Religiosa Consagrada e Pastoral de Conjunto
• Pastoral de Conjunto e nova consciência de eclesialidade
• Nova consciência de missão – abertura ao mundo moderno, científico e urbano
• Renovação da VRC na sua teologia, missão na Igreja e irradiação no mundo.

2)Década de 70
• Vida Religiosa Consagrada e secularização
• Vida Religiosa Consagrada e testemunho público
• Missão profética a partir de MEDELLIN e PUEBLA
• Vida Religiosa Consagrada e a nova consciência de Missão – VRC enviada para junto dos empobrecidos e injustiçados.
• Evangelização e sociedade pluralista
• Pastoral e Evangelização
• Pequenas comunidades
• Teologia da Libertação
• Inserção profética na Igreja e na sociedade
• Novo “lugar social e eclesial da VRC”
• Leitura da realidade a partir da ótica dos pobres.
• Vida Religiosa Consagrada e a justiça social
• Formação Intercongregacional

3)Década de 80
• Opção preferencial pelos pobres
• Opção pelos jovens
• Vida Religiosa inserida
• Desafio da evangelização no mundo moderno
• Inculturação
• Mulher e VRC
• Espiritualidade da libertação

4)Década de 90
• Eclesialidade e missão
• Dinamismo Profético dos carismas
• Sensibilidade às novas formas de pobreza: mulher, negros..
• Exclusão e solidariedade
• Etnia, gênero e cultura.
• Modernidade e Vida Religiosa Consagrada
• Mística da Encarnação e inculturação
• Mística Evangélica
• Presença solidária
• Solidariedade profética
• Análise institucional
• Refundação da Vida Religiosa Consagrada
• Fidelidade Criativa

5)Década atual
• Novas Gerações –Juventude e VRC
• Espiritualidade integradora
• Presença mística e profética
• Questões de gênero e novas masculinidades
• Missão além-fronteiras
• Redes e parcerias com leigos/as e diversos Organismos
• Cidadania e VRC
• Espiritualidade e cidadania
• Novas formas de consagração e de pertença aos carismas
• Comunidades Inter congregacionais

Projetos assumidos pela CRB, visando atender as interpelações do tempo presente.

• Programa de Formação de Lideranças – PROFOLIDER
• Projeto Juventude e Novas Gerações na VRC
• Projetos solidários inter congregacionais
• Participação nos projetos da CLAR: AFRO, Indígena, Memória Histórica da VRC feminina na AL e Caribe
• Dinamização dos Projeto da CLAR: “Pelo Caminho de Emaús” e “Seguir Jesus”.

Projetos em parcerias com a CNBB e outros Organismos

• Projeto Missionário Eclesial em Timor Leste
• Projeto de Evangelização na Amazônia
• Projeto Solidário Latino Americano e Caribenho – PROSOLAC

Participação especial

• Movimento Nacional de Combate à Corrupção Eleitoral
• Movimento das Entidades Sociais sobe coordenação do CONIC
• Mutirão Nacional de Superação da Miséria e da Fome
• Fórum Social Mundial.

Fonte: Site da CRB