Igreja de Nossa Senhora das Vitória

Igreja de Nossa Senhora das Vitória

 

CAPELA DE NOSSA SENHORA DAS VITÓRIAS 

É uma das mais antigas igrejas do Brasil, construída na primeira metade do século XVI. Em episódio narrado por Frei Jaboatão no Novo Orbe, diz que os colonos, para vingar a morte de companheiros, fizeram ataque contra os índios e mataram muitos e trouxeram presos e cativos outros tantos. Esta vitória foi atribuída ao socorro e patrocínio da Senhora das Neves, titular e venerada em uma capelinha, ao pé do monte que nela se vê no fim da rua, chamada de São Bento. Como a capelinha da Senhora estava danificada, os moradores, por sua devoção, resolveram construir outra nova, mas no alto do mesmo monte. Acabada a capelinha colocaram nela a imagem da Senhora, trocando o título das Neves por da Vitória. Atribui-se ainda à proteção da Senhora da Vitória a defesa da vila contra o ataque dos Franceses em 1595. 

Em 1887 a capela foi parcialmente destruída por um incêndio. Em 1905 foi reedificada, tendo sido completamente modificado seu desenho original. Em 1970 sofreu nova restauração que procurou obedecer as linhas da primeira planta.A igreja da Vitória é um sítio histórico que remonta ao século XVI. Entretanto, por ter sofrido pelo menos dois incêndios e muitas reformas, seu projeto arquitetônico foi inteiramente modificado, não apresentando nada do original. Segundo os historiadores e segundo os conceitos mais modernos de patrimônio cultural, pode-se afirmar que esta igreja representa um patrimônio cultural de singular valor, pois traz toda uma lenda que envolve a fé cristã dos colonos portugueses à época das invasões francesa e holandesa no Brasil e uma tradição de fé que perdura até nossos dias.

Segundo Borges de Barros (1981), essa igreja está entre os templos mais antigos da Vila de São Jorge, que àquela época se chamava Nossa Senhora da Neves e depois teve o nome trocado para Nossa Senhora da Vitória ou das Vitórias. Os colonos portugueses que habitavam a vila de São Jorge entraram em luta com os aimorés e, vencer a luta, parecia algo impossível. A vitória obtida foi atribuída à ajuda de uma mulher muito branca, que foi vista por muitas pessoas, inclusive por alguns indígenas, lutando ao lado dos colonos.

No final do século XVI, houve novamente a intervenção da santa, quando os colonos conseguiram expulsar os franceses que invadiram a vila. Borges de Barros afirma que os habitantes da cidade tinham menor número que os franceses, mas eram chefiados pelo mais valente, que havia se mostrado muito disposto nos assaltos passados, um mameluco chamado Antonio Fernandes, que tinha por alcunha, o Catuçadas, pela forma como abatia o inimigo. Que com um pequeno exército de vinte homens abateu cinqüenta e sete franceses.

O dia 15 de agosto é comemorado pela tradição católica como o dia da Assunção da mãe de Jesus. Nesse dia, é comemorado na cidade de Ilhéus, o dia de Nossa Senhora da Vitória, uma das padroeiras da cidade.
O frei Agostinho de Santa Maria fornece informações sobre as imagens da Virgem existentes na vila. Diz ele que, como a imagem primitiva que existia na vila estivesse muito estragada, um devoto mandou fazer outra em Lisboa, no ano de 1680. Esta imagem teria chegado estragada em Ilhéus, porque a embalagem não havia sido bem feita. Nessa mesma época, um outro devoto, Manoel Filgueiras, rico negociante em Salvador, mandou construir uma nau em Ilhéus. Ao sair da perigosa barra, a embarcação quase naufragou e ele pediu ajuda a Nossa Senhora. Em agradecimento enviou a imagem danificada para Lisboa, para ser consertada, e ela voltou perfeita.

No ano de 1887, um incêndio destruiu a igreja com suas imagens, inclusive aquela trazida de Lisboa no século XVII. A imagem que existe atualmente na igreja foi entalhada em Salvador e data do século XIX. A igreja passou um tempo abandonada e foi ficando em ruína, quando o coronel Domingos Fernandes da Silva custeou sua recuperação e a obra foi concluída em 1905, tendo sido seu estilo completamente modificado. Em 1913 foi realizada uma nova intervenção, patrocinada pelo mesmo coronel Fernandes.

 

HINO DE NOSSA SENHORA DAS VITORIAS

1. Vós sois o lírio mimoso / do mais suave perfume que ao lado do Santo Esposo / a castidade resume.

Ó Virgem Mãe amorosa / fonte de fé e de glória / Dai-nos a benção bondosa / ó Senhora das Vitorias (bis)

2. De vossos olhos o pranto / e como a gota de orvalho / que dá frescura e encanto / a flor pendente do galho.

3. Se vossos lábios divinos / um doce riso desponta / nos esplendores dos hinos / nossa alma ao céu se remota.

4. Vós sois a flor da inocência / que nossa vida embalsama / em suavíssima essência / que sobre nós se derrama.

5. Sede bendita Senhora / farol da eterna bonança / nos altos céus onde mora / a luz da nossa esperança.

6. E lá na celeste altura / do vosso trono de luz / dai–nos a paz e ventura /do nosso amado Jesus.