JESUS, ÁGUA VIVA QUE SACIA TODA A SEDE

JESUS, ÁGUA VIVA QUE SACIA TODA A SEDE

 

Na caminhada rumo à Páscoa estamos chegando ao terceiro domingo da Quaresma. Um domingo marcadamente batismal. A palavra de Deus proclamada neste 3º domingo da Quaresma (Jo 4,5-42) ilumina nossa vida de cristãos. Jesus transforma as circunstâncias simples e comuns da vida, como o buscar água num poço, em momentos especiais, de graça e de salvação.
 
Podemos nos ver refletidos no drama da anônima samaritana. Muitas vezes também nós carregamos relacionamentos feridos, sedentos de verdade e de autenticidade. Tão sedentos ficamos que, clamando por água, reclamamos ou duvidamos da presença de Deus. A Quaresma é, para nós, batizados, um tempo oportuno para sentarmos junto a tantos “poços” onde, corações inquietos e necessitados, bebemos da água, até nos saciarmos de tanta sede de vida nova. Quaresma é tempo propício para o diálogo calmo e sem preconceito.
 
A mulher samaritana torna-se símbolo do discípulo de Jesus, de quem aceita o dom que o Senhor oferece. Ela realiza, em sua caminhada, aquilo que o Senhor profetiza: “quem beber da água que eu lhe darei, nunca mais terá sede, porque a água que eu darei se tornará nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna” (Jo 4,14).
 
À pergunta da samaritana a respeito do “lugar onde se deve adorar, em Jesusalém ou no monte Garizin” Jo 4,20), Jesus responde: “Os verdadeiros adoradores, vão adorar o Pai em espírito e verdade” Jo 4,23). A única adoração absoluta é a adoração em espírito e verdade ao Deus da vida, eterno, onde quer que seja lembrado e reconhecido. O discípulo de Jesus se torna adorador em “espírito e verdade” quando assume a sua missão batismal, um dinamismo evangelizador e missionário, como a mulher samaritana: “venham ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Será que ele não é o Messias?” (Jo 4,29). Esse dinamismo evangelizador deve levar o discípulo de Jesus à tomada de uma consciência ambiental. A vida no planeta terra está exigindo de todos nós, em especial os cristãos, uma ação em defesa do mesmo através de mudança de mentalidade e de hábitos com relação ao planeta.
 
É uma constatação real feita pelos cientistas de que vivemos num grande aquecimento do planeta. Isso se acentuou com o desenvolvimento industrial a partir de 1750. Esse progresso que vemos e sentimos na nossa vida concreta tem contribuído enormemente para o aquecimento global e ocasionado mudanças climáticas acentuadas. As enchentes, os deslizamentos de terra, as secas, os temporais não são decorrentes apenas de causas naturais mas, infelizmente, são causados pelo enorme progresso material e tecnológico construído pela mão do ser humano e que presenciamos e usufruímos.
 
A Igreja Católica no Brasil através da CNBB nos convoca para a vivência da Campanha da Fraternidade 2011 cujo tema é A Fraternidade e o Planeta Terra com o lema “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22). Jesus nos concede o dom da fé, a fim de fazer brotar, no coração de seus seguidores, “o amor de Deus”. Ao pedir à Samaritana que lhe desse de beber, Jesus lhe dava o dom de crer. E, “saciada sua sede de fé, lhe acrescentou o fogo do amor” (Prefácio da Missa). Assim também acontece conosco, batizados. Jesus nos sacia a nossa sede de fé e nos dá o fogo do amor. Esse amor se manifesta no cuidado para com a criação, em especial, o ser humano. A CF 2011 nos estimula a viver esse amor concretamente na participação em ações que favoreçam a defesa da vida no planeta e de todos os seres vivos.
 
Devemos nos perguntar: como estamos cuidando da criação? Como estamos cuidando do ser humano? Como estamos cuidando da água. Se a temos em abundância nossa cidade e região lembremo-nos que ela está ficando escassa e está bastante poluída. A responsabilidade não é apenas do poder público, mas de todo cidadão e cidadã no cuidado da cidade, do bairro, do povoado, do seu quintal e sua calçada. Se quisermos vida digna para todos, todos devemos nos conscientizar e nos empenhar em cuidar melhor do nosso ambiente. Fomos batizados e banhados pela água que jorra para a vida eterna. Devemos ser agradecidos a Deus por esta infinita graça nos empenhando realmente no cuidado do nosso ambiente, humano e natural, para que a criação deixe de gemer como em dores de parto.
 
A CF 2011 nos lança esse desafio.
 
Dom Mauro Montagnoli