Segundo Papa - Papa Pio X "4 de Agosto de 1903 a 20 de Agosto de 1914" *

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Instaurare omnia in Christo

"Estabelecer todas as coisas em Cristo"

Nasceu em Senigallia (Itália) a 13 de Maio de 1792. Seus pais foram Gerolamo, dos nobres Mastai Ferretti, e Caterina Solazzi, da nobreza local. Foi baptizado no mesmo dia do nascimento com o nome de Giovanni Maria; recebeu o sacramento da Confirmação em 1799 e fez a sua primeira Comunhão em 1803.

Em 1809 transferiu-se para Roma a fim de continuar os estudos. Ainda não se tinha orientado para o sacerdócio, mas vivia de modo exemplar, como o demonstram alguns propósitos feitos em 1810, ao concluir um retiro espiritual:  lutar contra o pecado, evitar qualquer ocasião perigosa, estudar "não por ambição de saber" mas para o bem dos demais, abandono de si mesmo nas mãos de Deus. Devido a uma enfermidade teve de abandonar os estudos em 1812 e eximiram-no do serviço militar obrigatório. Em 1815 começou a fazer parte da Guarda nobre pontifícia, mas teve que deixá-la também por motivo de saúde. Foi então que São Vicente Pallotti lhe vaticinou o supremo pontificado e a Virgem de Loreto o curou, gradualmente, da enfermidade.

Em 1816 participou, como catequista, numa importante missão em Senigallia e, em seguida, optou pelo estudo eclesiástico. Recebeu as Ordens menores em 1817, o subdiaconado em 1818 e o diaconado em 1819. Nesse mesmo ano, por concessão especial, foi ordenado sacerdote.

Celebrou a sua primeira Missa na igreja de Santa Ana dos Carpinteiros, do Instituto Tata Giovanni, do qual foi nomeado reitor, permanecendo como tal até 1823. Desde o início manifestou-se como homem de oração, consagrado ao ministério da Palavra e do sacramento da Reconciliação, e também ao serviço dos mais humildes e necessitados. De maneira admirável uniu a vida activa à contemplativa. Apesar de estar sempre atento às necessidades pastorais e sociais, vivia ao mesmo tempo com grande recolhimento uma intensa devoção eucarístico-mariana. Era muito fiel à sua meditação diária e ao exame de consciência.

Em 1820 deixou o Instituto Tata Giovanni para acompanhar o Núncio Apostólico, D. Giovanni Muzzi, ao Chile. Ali permaneceu até 1825. Segundo palavras de Mons. Pietro Capraro, Secretário de "Propaganda Fide", "poucos puderam ser escolhidos no seu lugar, dotado  como  era  de  profunda  e  sólida piedade, doçura de carácter, prudência e clarividência..., grande zelo, desejo de servir a Deus e de ser útil ao próximo".

Em 1825 foi escolhido como Director do Asilo de São Miguel, uma importante instituição religiosa, mas ao mesmo tempo complexa, que necessitava uma reforma eficaz. Dedicou-se a esta tarefa com grande empenho, mas sem descuidar as obrigações habituais do seu ministério.

Aos 36 anos de idade, foi nomeado Bispo e destinado à Arquidiocese de Espoleto. Aceitou por obediência e foi um modelo de zelo pastoral, apesar dos grandes sofrimentos. Em 1831 a revolução iniciada em Parma e Módena chegou a Espoleto. O Arcebispo, profundamente entristecido, não quis derramamento de sangue e, enquanto lhe foi possível, reparou os destruidores efeitos da violência. Restituída a calma, dedicou-se a obter paz e perdão para todos, inclusive para os que não o mereciam.

Em 1832, foi transferido para outra diocese turbulenta, Ímola, onde continuou com o seu estilo de pregador fecundo e persuasivo, disposto a praticar a caridade com todos, zeloso do bem sobrenatural e material dos seus diocesanos, amante do clero e dos jovens seminaristas, promotor de iniciativas em favor da educação da juventude, muito sensível à importância e às exigências da vida contemplativa, inflamado de devoção ao Sagrado Coração de Jesus e à Virgem, bondoso para com todos, mas firme nos seus princípios.

Em 1840, com apenas quarenta e oito anos, foi nomeado Cardeal.

Na tarde do dia 16 de Junho de 1946, o Cardeal Mastai, que fugia das honras, foi eleito Papa e quis chamar-se Pio IX.

O seu pontificado, devido às circunstâncias políticas derivadas da unificação da Itália e da perda dos Estados pontifícios, tornou-se sumamente difícil:  por isso mesmo, foi um grande Papa, certamente um dos maiores. Impelido pelo desejo de cumprir a sua missão de "Vigário de Cristo", responsável dos direitos de Deus e da Igreja, foi sempre claro e directo:  soube unir firmeza e compreensão, fidelidade e abertura.

Começou o seu pontificado com um acto de generosidade, concedendo uma amnistia para delitos políticos. A sua primeira Encíclica foi uma visão programática e, ao mesmo tempo, uma antecipação do "Syllabus", condenou as sociedades secretas, a maçonaria e o comunismo. Em 1847 promulgou um decreto de ampla e surpreendente liberdade de imprensa.

Entre as realizações do seu pontificado, podem-se destacar:  o restabelecimento da hierarquia católica na Inglaterra, Holanda e Escócia; a condenação das doutrinas galicanas; a definição solene, a 8 de Dezembro de 1854, do dogma da Imaculada Conceição; o envio de missionários ao Polo norte, à Índia, à Birmânia, à China e ao Japão; a criação de um Dicastério para as questões relativas aos orientais; a promulgação do "Syllabus errorum", no qual condenou os erros do modernismo; a celebração, com particular solenidade, do XVIII centenário do martírio dos Apóstolos Pedro e Paulo; a celebração do Concílio Ecuménico Vaticano I - ápice do seu pontificado - que teve início em 1869 e se concluiu a 18 de Julho de 1870.

Depois da queda de Roma (20/9/1870) e do fim do poder temporal, Pio IX encerrou-se no Vaticano, considerando-se prisioneiro. No dia 7 de Fevereiro de 1878, com a sua piedosa morte, chegou ao seu fim o pontificado mais longo da história.

Agora é elevado à glória dos altares não pelas sua definições dogmáticas nem pelas suas realizações como autoridade suprema dos Estados pontifícios, nem sequer pelas suas actividades pastorais, mas sobretudo porque levou sempre uma vida santa, como jovem seminarista, Bispo e Pastor supremo da Igreja universal, e porque praticou as virtudes teologais e cardeais em grau heróico.